sábado, 18 de outubro de 2008
Explicações
Perdoem minha tão prolongada ausência neste sítio. Um pequeno favor familiar, do tipo mais comum, tornou meus piores pesadelos realidade, transformou minha vida num caos, levou-me à beira da insanidade, deixou-me reduzida a um fiapo de gente, presenteou-me com um trauma que hei de lembrar a cada segundo pelo resto da minha vida.
Acontece que minha muy pouco responsável irmã mais nova, Emília, ganhou de presente, sabe-se lá de quem ou por quê - talvez um concurso da televisão ou do fabricante de cereais matinais coloridos que seu monstr- digo, filho, come todos os dias - uma estada de 15 dias na Europa, um tour pelas suas principais capitais, com direito a acompanhante, que veio a ser, obviamente, seu novo namorado de 22 anos, cujo nome não vem ao caso, pois logo ela troca novamente de... Enfim, não sei exatamente como chamam esses moços com quem se tem relacionamentos-relâmpago hoje em dia. Minhas jovens pacientes os chamam apenas de babacas, escrotos e cachorros, entre outros nomes de mais baixo calão que prefiro não repetir.
Mas estou divagando. Pois bem, minha cara - e como é cara! - irmã partiu para seu deleite europeu junto com seu deleite de academia de ginástica e deixou, sem aviso prévio, sem me dar margem para qualquer tentativa de escape, fria e calculadamente, cruelmente, duramente, seu... filho, Ugo, em minha casa, para ficar sob meus cuidados por 20 dias seguidos (os últimos 5 e excepcionalmente tortuosos dias foram por conta de um atraso inexplicável do avião, um duvidoso extravio de malas, o escandaloso rompimento do casal em um bistrô de Paris e a ardente reconciliação algumas horas depois no banheiro do trem para Roma).
Isso, caríssimos amigos, ocorreu no fatídico mês de março do ano que corre. Agora - só agora - estou conseguindo me recuperar. Ontem, saí de casa pela primeira vez em 6 meses. Consegui enfrentar a minha vergonha, o meu terror, e fui até o supermercado comprar uvas passas. Em breve explicarei porque comprei uvas passas. Neste momento preciso me recolher, pois escrever este pequeno recado me deixou exausta. Lembrar destes acontecimentos sugou minhas forças. Devo deitar um pouco agora. Assistir um filme de Bergman, tomar um copo de iogurte de soja. Em breve, caros, em breve, retorno com mais notícias.
sábado, 16 de agosto de 2008
no princípio era o pato
Foi ele. Foi ontem.
Aqui começa nossa história. Eu, Rudvsla Rudvkütòv, gastei anos de introspecção e sanduíche natural até achar minha vocação. Sou do palco, nasci para o palco, ah, para a liberdade de uma vida sem amarras e roupas de baixo. Profissão: animadora de festa infantil. Da Martins Festas. Sim, amado leitor, eis a distância entre intenção e gesto.
Mas deixe-me voltar ao princípio. Mais uma festa infantil ontem. Entre tantas opções, a magia da infância, o ambiente pueril... Ok, sem rodeios. Eu era o pato. Mas Silveira faltou, logo ontem Silveira faltou. Eu avisei: eu sou atriz, DRT não é papel higiênico. Eu avisei. Mas eu não tenho jeito, eu não tomo tento, eu não mudo. Dez minutos de festa e lá tava eu no lugar de Silveira. Silveira, sabe quem é? Sabe o que faz Silveira? Silveira opera máquina de cachorro-quente. De cachorro quente!
Preciso de uma pausa. Respiro fundo.
Este é só o começo. Ele estava lá desde o princípio. ELE, o motivo deste blog, da análise começada hoje, da humilhação pública e da queimadura de segundo grau na mão direita. Na mão di-rei-ta! Ugo o nome dele. 8 anos.
Eu tentei reagir. Mas patos não têm polegar opositor. Nem a menor dignidade.